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Justiça mantém prisão de marido suspeito pela morte da professora Martinha em Nova Santa Helena

Justiça mantém prisão de marido suspeito pela morte da professora Martinha em Nova Santa Helena

Prisão preventiva

Justiça mantém prisão de marido suspeito pela morte da professora Martinha em Nova Santa Helena

Perícia encontrou múltiplos disparos, sinais de luta e indícios de alteração da cena, reforçando a apuração por feminicídio ocorrido na véspera de Natal

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão de Paulo Bertoldo Júnio Neto, investigado pela morte da esposa, Francisca Marta de Jesus Bertoldo, conhecida como professora Martinha, ocorrida na véspera de Natal (24), em Nova Santa Helena, a 599 km de Cuiabá. A decisão foi assinada pelo juiz Edson Carlos Wrubel Júnior, da Comarca de Itaúba.

Inicialmente apresentado pelo marido como um suposto caso de suicídio, o episódio passou a ser tratado como suspeita de feminicídio após os primeiros levantamentos periciais. Conforme apontado pela investigação, o corpo da vítima apresentava ao menos cinco perfurações provocadas por disparos de arma de fogo, além de sinais de luta corporal e indícios de alteração da cena do crime, o que contradiz a versão inicial apresentada pelo investigado.

Durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (25), a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, com fundamento na garantia da ordem pública e na necessidade de preservação da instrução criminal. Na decisão, o magistrado destacou que os elementos já reunidos indicam a necessidade de manter o suspeito custodiado enquanto as apurações avançam.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 16h30 do dia 24, após uma denúncia que, inicialmente, indicava uma possível morte autoprovocada. No local, os policiais encontraram a vítima caída no chão da residência, com um revólver próximo ao corpo e grande quantidade de sangue espalhada pelo imóvel. Uma equipe médica do município foi chamada e confirmou o óbito ainda no local.

Durante os primeiros atendimentos, o marido apresentou versões divergentes sobre o ocorrido. Em um relato, afirmou que estava fora de casa e teria sido avisado pela esposa de que ela atentaria contra a própria vida. Em outro momento, declarou que estava no banheiro e, ao sair, encontrou a mulher armada, o que teria dado início a uma luta corporal. Posteriormente, ele também admitiu ter mexido na arma e na posição do corpo, fato que reforçou as suspeitas da polícia.

Os trabalhos periciais realizados pela Politec indicaram que as lesões encontradas no tórax e no braço da vítima não são compatíveis com suicídio. O laudo preliminar aponta ainda que o corpo estava parcialmente protegido atrás de um móvel, o que pode indicar tentativa de defesa. Apesar de o revólver estar carregado com seis munições, apenas uma foi encontrada deflagrada.

Diante das contradições, dos indícios técnicos e das circunstâncias apuradas até o momento, o investigado foi autuado por feminicídio no contexto de violência doméstica, além de posse irregular de arma e munição.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda a conclusão dos laudos periciais para o aprofundamento das diligências e definição das responsabilidades criminais.

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