O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (CIPEM) apresentou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nesta sexta-feira (11), uma proposta para aprimorar a identificação e a rastreabilidade de espécies de madeira comercializadas em Mato Grosso.
A iniciativa foi discutida durante reunião realizada na sede do CIPEM e tem como foco o atendimento às exigências da Instrução Normativa nº 28/2024 do Ibama e aos requisitos da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).
O projeto envolve três espécies de madeira de importância para o setor florestal mato-grossense: ipê, cumaru e cedro-rosa, que estão incluídas no Anexo II da CITES.
Entre as medidas propostas estão a implantação de dois postos avançados com xilotecas, que funcionarão como coleções de referência para auxiliar na identificação anatômica das madeiras. A proposta também prevê a capacitação de profissionais responsáveis pela identificação e atestação das espécies.
A intenção é ampliar a segurança na identificação da madeira desde a coleta e análise do material botânico até as etapas de comercialização e exportação, reduzindo a possibilidade de erros na classificação das espécies.
A coordenação científica da proposta ficará a cargo da professora Marcela Gomes, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), por meio dos campi de Alta Floresta e Sinop.
Durante a reunião, o presidente do CIPEM, Gleisson Omar Tagliari, destacou que o aprimoramento dos mecanismos de identificação pode contribuir para dar maior segurança aos produtores que atuam dentro das normas ambientais.
Segundo o coordenador-geral de Gestão e Monitoramento do Uso da Flora do Ibama, Allan Valezi, o avanço técnico na identificação das espécies é importante para atender às exigências da CITES e aprimorar o manejo florestal.
“O Estado de Mato Grosso tem se empenhado e precisa, de fato, avançar no processo de identificação das espécies. Essa é uma exigência da própria CITES”, afirmou.
A proposta foi apresentada ao Ibama, que deverá avaliar internamente a iniciativa e encaminhá-la às instâncias competentes para análise dos próximos passos de uma possível parceria institucional.
Participaram da reunião, pelo Ibama em Mato Grosso, a superintendente Cibele Xavier, o chefe da DITEC, Gabriel Cardoso, e a coordenadora de Monitoramento do Uso da Flora, Fernanda Simões. Também esteve presente o presidente do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNBF), Rafael Mason.
Durante o encontro, Mason destacou a importância da cooperação entre o setor produtivo e os órgãos responsáveis pela fiscalização e regulamentação para buscar soluções técnicas que garantam segurança jurídica, sustentabilidade e continuidade da atividade florestal.
A proposta apresentada pelo CIPEM ainda depende da análise do Ibama, mas busca criar mecanismos técnicos para melhorar a identificação e o controle da madeira produzida em Mato Grosso e facilitar o cumprimento das normas nacionais e dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.





