Ao menos 25 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão durante uma operação realizada em uma fazenda no município de Peixoto de Azevedo. A ação ocorreu entre os dias 26 e 28 de março e foi conduzida pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT).
De acordo com a fiscalização, foram identificadas situações como cerceamento de liberdade, servidão por dívida e condições degradantes de trabalho e moradia. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), e o proprietário da fazenda foi notificado a pagar verbas rescisórias que ultrapassam R$ 500 mil.
A propriedade, voltada à criação de gado, está localizada em área de difícil acesso, com cerca de 100 quilômetros de estrada de chão em más condições. Os trabalhadores eram oriundos de estados como Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, além de Mato Grosso, e estavam distribuídos entre a sede e seis retiros da fazenda.
Segundo a auditoria, os funcionários não tinham acesso a sinal de telefone ou internet nos alojamentos. O único ponto com conexão ficava entre quatro e 17 quilômetros de distância, sem oferta de transporte. Alguns relataram estar há mais de sete meses sem sair do local.
Irregularidades e violações
Entre as irregularidades constatadas estão jornadas exaustivas, sem descanso semanal remunerado. Muitos trabalhavam de segunda a sábado e, aos domingos, realizavam serviços extras pagos à parte, sem registro formal.
Também foi identificado um sistema de endividamento. Apesar da oferta de alimentação básica, itens essenciais — como produtos de higiene e limpeza — eram vendidos aos trabalhadores dentro da própria fazenda. Em alguns casos, os empregados assinavam vales e recibos em branco, dificultando o controle das dívidas, que eram descontadas diretamente dos salários.
As condições de moradia foram consideradas precárias, com falta de estrutura adequada para higiene, ausência de roupas de cama e exposição a riscos químicos, já que roupas usadas na aplicação de agrotóxicos eram lavadas junto às peças pessoais.
Além disso, trabalhadores operavam máquinas sem treinamento e em condições consideradas perigosas.
Interdições e medidas
Durante a operação, diversos setores da fazenda foram interditados, incluindo fábrica de ração, oficina, serraria, açougue e áreas com instalações elétricas irregulares. Equipamentos e máquinas também foram impedidos de uso, assim como a cozinha da sede, devido às condições inadequadas de higiene.
Após o resgate, os trabalhadores foram assistidos por meio do Projeto Ação Integrada (PAI/MT), coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Universidade Federal de Mato Grosso.
A operação contou ainda com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso e da Polícia Federal. O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.





