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Bolsa fecha em queda de 13,43% após despencar 17% e acionar circuit breaker

Bolsa fecha em queda de 13,43% após despencar 17% e acionar circuit breaker

Economia

Bolsa fecha em queda de 13,43% após despencar 17% e acionar circuit breaker

As negociações no mercado acionário brasileiro foram temporariamente paralisadas na manhã desta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente

Agência Brasil

As negociações no mercado acionário brasileiro foram temporariamente paralisadas na manhã desta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 10% logo após a abertura, o que disparou automaticamente o mecanismo de circuit breaker, congelando as operações por 30 minutos. Durante a manhã desta segunda-feira, a queda chegou a atingir 17,34% e passou a ser de 14,02% perto das 17h, aos 176.334 pontos.

A retomada dos trabalhos aconteceu cerca de 40 minutos após o acionamento do circuit breaker. Perto das 14h03, a bolsa operava a pouco mais de 175 mil pontos. No mesmo horário, o dólar disparava 8,72%, a R$ 5,425. Na máxima do dia, a alta chegou a 12,37%, levando a moeda americana a R$ 5,604. Ao final, teve avanço de 8,21%, cotado a R$ 5,4027.

O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (26) em queda de 13,43%, aos 177.539,81 pontos, na maior baixa percentual desde março de 2020. Durante o pregão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a recuar mais de 17%, aos 169.516 pontos, em meio à reação dos investidores ao resultado eleitoral. A forte desvalorização levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos do mercado.

A forte correção dos ativos acompanha a repercussão imediata dos investidores sobre o resultado das urnas no segundo turno da corrida presidencial. O dia começou marcado por alta volatilidade nos mercados financeiro e de câmbio.

Seis anos após as sucessivas interrupções que marcaram os pregões no início da pandemia, o termo circuit breaker voltou às mesas de operação nesta segunda-feira (26).

A expectativa de um tombo expressivo no Ibovespa após o desfecho eleitoral reativou o alerta máximo na B3, trazendo à tona um mecanismo de defesa raramente acionado na rotina dos negócios. Para especialistas, porém, a eventual paralisação das negociações é apenas o sintoma mais visível de um ajuste estrutural muito mais profundo.

O movimento observado no mercado financeiro vai além da tradicional volatilidade de abertura de pregão. A leitura predominante é a de que os investidores iniciaram uma revisão abrangente sobre a precificação do risco dos ativos locais.

De acordo com Roberta Folgueral, diretora comercial de câmbio e operações da B&T XP, a reação dos investidores não deve se esgotar nos primeiros pregões pós-pleito. “Não acho que seja uma reprecificação pontual. Vejo uma tendência mais prolongada de alta dos juros reais e de desvalorização dos ativos brasileiros. O mercado está olhando para a capacidade do governo de conter os gastos públicos, fazer a economia crescer e mostrar como pretende financiar as medidas anunciadas. Tudo isso cria um cenário de incerteza e o investidor estrangeiro começa a retirar dinheiro do Brasil.”

A resposta do mercado reflete um descompasso entre o discurso político da campanha de Lula e a sustentabilidade das contas públicas e o diagnóstico do mercado reflete uma mudança de postura do capital institucional e externo. A cautela em torno do equilíbrio fiscal e da solvência das propostas econômicas reduz o apetite por risco, pressionando a curva de juros futuros para cima e acelerando a saída de recursos estrangeiros da Bolsa. Como funciona o freio de emergência da B3 O circuit breaker opera como uma trava de proteção para amortecer movimentos de pânico e restaurar a racionalidade das ordens em momentos de estresse extremo. As regras da B3 estabelecem patamares graduais de interrupção:

  • Primeiro nível (-10%): Se o Ibovespa atinge uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior, todas as negociações são suspensas por 30 minutos.
  • Segundo nível (-15%): Reaberto o mercado, caso as perdas se aprofundem e alcancem 15%, o pregão é paralisado por uma hora.
  • Terceiro nível (-20%): Em situações excepcionais de queda acumulada de 20%, a Bolsa pode suspender as operações por prazo indeterminado.

A mera menção a esses gatilhos evidencia a gravidade do momento. Como resume Roberta Folgueral, “o fato de voltarmos a falar nessa possibilidade mostra o tamanho da reprecificação de risco que o mercado está fazendo agora”. Mais do que um susto momentâneo, o cenário impõe um compasso de espera por sinais claros de responsabilidade fiscal e previsibilidade econômica.

Fonte: band.com.br

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