Foi realizada em Alta Floresta, na sede da Diretoria Regional de Educação (DRE), uma capacitação voltada à qualificação técnica de servidores e profissionais que atuam no enfrentamento ao tráfico de pessoas. A iniciativa teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre a temática, reconhecida como uma das mais graves violações de direitos humanos, segundo a legislação brasileira e tratados internacionais ratificados pelo país.
O evento foi promovido pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Segurança Pública, do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CETRAP) e do Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A ação contou com o apoio da Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania.
Durante a programação, o promotor de Justiça da 1ª Promotoria Criminal de Alta Floresta, Guilherme Costa, abordou a Lei Federal nº 13.344/2016, que estabelece diretrizes para a prevenção e repressão do tráfico de pessoas e o atendimento às vítimas. Em seguida, a coordenadora do CETRAP, Roberta de Arruda Chica, apresentou uma análise sobre o enfrentamento ao contrabando de migrantes.
A coordenadora Dulce Regina Amorim, representante da Comissão de Atenção à Vítima, também contribuiu com reflexões sobre os cuidados necessários àqueles que enfrentam situações de tráfico. Já o defensor público Vinícius Fuzaro discutiu ações de assistência às vítimas, com ênfase na integração entre o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Único de Saúde (SUS).
O tráfico para fins de exploração sexual também foi tema central das discussões, com destaque para estratégias de prevenção, acolhimento e reintegração das vítimas. A atividade contou com momentos de plenária que promoveram troca de experiências entre os participantes.
De acordo com dados da Agência Senado, entre 2012 e 2019, foram registradas 5.125 denúncias de tráfico humano por meio do Disque 100 e 776 denúncias via Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180). Já o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) contabilizou 1.901 notificações entre 2010 e 2022. No mesmo período, 60.251 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão no Brasil, segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.
A capacitação reforça a importância da articulação entre diferentes setores públicos e da sociedade civil no combate a esse tipo de crime e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas.





