A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes bilionárias envolvendo descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, segue em curso com lentidão que vem sendo alvo de críticas. A investigação, que já levou ao afastamento de servidores e revelou conexões com entidades de fachada, enfrenta entraves políticos e jurídicos que estariam dificultando os indiciamentos formais.
Desde o início das apurações, mandados de busca, apreensão e prisão foram cumpridos em 13 estados e no Distrito Federal. No entanto, para especialistas, a morosidade no andamento do caso e a falta de responsabilização direta aos supostos articuladores reforçam a percepção de falta de vontade política e blindagem institucional.
De acordo com Raimundo Nonato, presidente da Abradeb (Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias), os principais indícios apontam para o envolvimento de associações de fachada, cujos representantes podem estar atuando como “laranjas” para encobrir os verdadeiros operadores do esquema. A complexidade jurídica do caso, segundo ele, esbarra na definição do foro competente para julgar autoridades envolvidas.
A advogada Lisiane Ribeiro vai além e critica a ausência de indiciamentos formais, afirmando que há indícios robustos ignorados: “Movimentações financeiras incompatíveis, contratos com entidades fantasmas, conexões políticas… mas nenhuma responsabilização direta. Estamos apenas tratando os sintomas.”





