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Calor extremo em Mato Grosso aumenta risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Calor extremo em Mato Grosso aumenta risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Climatologia

Calor extremo em Mato Grosso aumenta risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Pesquisa da Unemat relaciona desconforto térmico a internações e mortes em Alta Floresta e Tangará da Serra

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O calor intenso e o desconforto térmico registrados em municípios agrícolas de Mato Grosso vão além do incômodo diário e podem representar um risco real à saúde da população. Um estudo realizado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) aponta que condições climáticas adversas estão diretamente associadas ao aumento de internações e óbitos por doenças cardiovasculares, especialmente entre idosos.

A pesquisa analisou dados de Alta Floresta e Tangará da Serra entre os anos de 2013 e 2022, cruzando informações meteorológicas — como temperatura, umidade do ar e precipitação com registros de internações e mortes por doenças do aparelho circulatório no Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Climatologia.

De acordo com os pesquisadores, a maior concentração de casos ocorreu durante o período de seca, caracterizado por altas temperaturas, baixa umidade do ar e grande variação térmica ao longo do dia. Nessas condições, o corpo humano enfrenta mais dificuldade para manter o equilíbrio da temperatura interna, o que pode agravar problemas cardíacos já existentes.

Idosos concentram a maioria dos casos

Os dados revelam que os idosos são o grupo mais afetado. Em Alta Floresta, pessoas com 60 anos ou mais representaram 56,7% das internações e 80% das mortes por doenças cardiovasculares no período analisado. Em Tangará da Serra, esse percentual foi ainda maior, com mais de 77% dos óbitos registrados entre idosos.

Segundo o estudo, essa vulnerabilidade está relacionada tanto às limitações naturais do envelhecimento quanto ao uso de medicamentos que interferem na capacidade do organismo de regular a temperatura corporal.

“Os idosos apresentaram maior sensibilidade especialmente nos períodos chuvoso e de transição, quando predominam ambientes quentes e úmidos, que dificultam a dissipação do calor”, destaca o levantamento.

Desconforto térmico sobrecarrega o organismo

Em termos práticos, o estudo explica que o desconforto térmico ocorre quando o corpo encontra dificuldades para dissipar ou reter calor. Para manter a temperatura próxima dos 37 °C, o organismo precisa acionar mecanismos como a transpiração e a dilatação dos vasos sanguíneos. Quando esses processos falham, há sobrecarga do sistema cardiovascular.

Em Alta Floresta, mais da metade dos dias analisados foi classificada como de nível “cautela” ou superior no Índice de Calor. No período da tarde, especialmente por volta das 14h, os níveis de desconforto térmico atingem patamares ainda mais elevados, cenário que também se repete em Tangará da Serra.

Os pesquisadores alertam que, diante das mudanças climáticas e do aumento das temperaturas médias, os impactos do calor extremo sobre a saúde tendem a se intensificar, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao cuidado com a população mais vulnerável.

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