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Produtividade do agro muda mapa econômico do Brasil e coloca Mato Grosso no centro da transformação

Produtividade do agro muda mapa econômico do Brasil e coloca Mato Grosso no centro da transformação

NOVO MAPA DA ECONOMIA

Produtividade do agro muda mapa econômico do Brasil e coloca Mato Grosso no centro da transformação

Avanço da eficiência no campo impulsiona comércio, serviços, indústria e geração de renda no interior do país

Foto por: Marcos Vergueiro/Secom-MT

O mapa da produtividade brasileira vem mudando. O avanço da eficiência econômica, historicamente associado aos grandes centros industriais do Sudeste, ganhou força no interior do país, impulsionado principalmente pela agropecuária e pelas atividades que se desenvolveram ao redor da produção rural.

Mato Grosso está no centro dessa transformação.

Estudo sobre a produtividade do trabalho nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros mostra que, entre 2002 e 2019, a produtividade nacional avançou 18,7%. Na agropecuária, o crescimento chegou a 80,1%, enquanto os serviços registraram alta de 10,3% e a indústria, de 5,4%.

O movimento ajuda a explicar a transformação econômica observada nas últimas décadas no Centro-Oeste e, mais recentemente, nas novas fronteiras agrícolas do Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Em Mato Grosso, o avanço da produção agrícola ultrapassou os limites das propriedades rurais. A riqueza gerada pelas lavouras e pela pecuária movimenta transportadoras, armazéns, revendas, concessionárias, construção civil, comércio, serviços financeiros, tecnologia e indústria.

É uma cadeia que começa antes do plantio e continua depois da colheita.

Mato Grosso lidera produção agropecuária

O tamanho dessa economia pode ser observado pelo Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). Em julho, o Ministério da Agricultura estimou o VBP brasileiro em R$ 1,39 trilhão.

Mato Grosso aparece na liderança nacional, com R$ 216 bilhões, o equivalente a 15,5% de toda a produção agropecuária brasileira medida pelo indicador.

Ao mesmo tempo, a indústria tradicional perdeu participação na economia. Desde 1995, a indústria de transformação passou de 15,7% para 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Outro levantamento, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Cepea/Esalq-USP, aponta que a produtividade por hora trabalhada na agropecuária cresceu 515% entre 1995 e 2025, enquanto a média da economia brasileira avançou 28%.

O resultado está relacionado a décadas de mecanização, melhoramento genético, pesquisa, correção dos solos, agricultura de precisão, desenvolvimento de sementes adaptadas ao clima tropical e incorporação de novas tecnologias.

A economia que nasce além da porteira

O aumento da produtividade não se limita à produção rural. Uma lavoura mais tecnificada demanda máquinas, fertilizantes, sementes, softwares, crédito e assistência técnica.

Depois da colheita, a produção movimenta caminhões, armazéns, silos, ferrovias, portos e unidades industriais.

A soja pode ser transformada em óleo, farelo e ração. O milho abastece fábricas de alimentos, confinamentos e usinas de etanol. A pecuária movimenta frigoríficos, curtumes e outras atividades industriais.

Essa cadeia contribui para que municípios essencialmente agrícolas desenvolvam economias urbanas cada vez mais diversificadas.

Sapezal é exemplo em Mato Grosso

Sapezal, uma das principais regiões produtoras de grãos do país, é um exemplo dessa transformação.

A economia do município se desenvolveu ao redor da produção agrícola e passou a reunir atividades que vão além da produção primária.

Dados do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) mostram que a probabilidade média de uma criança brasileira chegar à vida adulta entre os 10% de maior renda é de 1,8%. No Centro-Oeste, o índice chega a 2,86%. Em Sapezal, alcança 3,9%.

Segundo o diretor de Pesquisas do IMDS, Fernando Veloso, parte desse resultado está relacionada à arrecadação dos municípios mais dinâmicos e à capacidade de transformar recursos públicos em serviços de educação e saúde.

Outro efeito ocorre dentro das próprias famílias. A renda gerada pela atividade rural também pode financiar novos negócios nas cidades, como escritórios, clínicas, lojas e empresas de serviços.

Tecnologia aumenta produtividade e reduz disponibilidade de mão de obra

O avanço tecnológico também trouxe um desafio para o setor: encontrar trabalhadores qualificados.

Pesquisa nacional da CNA aponta que 94,8% dos produtores rurais relatam algum grau de dificuldade para contratar mão de obra. Outros 84,3% afirmam trabalhar com equipes menores do que o necessário.

De acordo com o levantamento, 48,7% relatam atrasos nas operações, 48% adiaram ou desistiram de projetos de expansão e 42,6% anteciparam investimentos em mecanização e automação diante da falta de trabalhadores.

Em Mato Grosso, pesquisa do Imea em parceria com o Senar-MT mostra que 62,62% dos produtores enfrentam alta dificuldade para contratar funcionários. Para 69,16%, a falta de qualificação técnica é o principal problema relacionado à mão de obra.

O avanço tecnológico, portanto, também mudou o perfil das vagas no campo. A demanda cresce por operadores de máquinas, técnicos e profissionais capazes de trabalhar com equipamentos, sistemas digitais e ferramentas de agricultura de precisão.

Agro também impulsiona a indústria

A expansão da produção rural também se conecta à indústria brasileira.

Quase 70% da produção agrícola nacional é destinada à indústria de alimentos. No primeiro semestre deste ano, as exportações do setor chegaram a US$ 33 bilhões, crescimento de 8,5% em receita e 6,3% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.

O segmento respondeu por aproximadamente 18% das exportações brasileiras no período, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

O desafio passa, portanto, não apenas pela capacidade de produzir, mas também pela ampliação da transformação das matérias-primas dentro do país.

Para Mato Grosso, esse é um dos caminhos apontados para ampliar os efeitos econômicos da produção agropecuária. O Estado lidera o VBP nacional e possui forte produção de soja, milho, algodão e proteína animal, mas ainda tem espaço para aumentar o processamento dessas matérias-primas dentro do próprio território.

Quanto maior a industrialização local, maior tende a ser a circulação regional de empregos, salários, impostos e renda.

O novo mapa econômico brasileiro mostra que o ganho de produtividade avançou para o interior. Em Mato Grosso, a expansão do agro vem acompanhada pelo crescimento de uma cadeia de atividades que conecta o campo às cidades e amplia a participação da produção rural na economia regional.

Fonte: Diário de Cuiabá

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