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01/03/2021 07:10 Thalyta Amaral/Gazeta Digital

12 POLICIAIS AFASTADOS: 'Inferno' na penitenciária Ferrugem inclui extorsão, agressões diárias e tortura

Acordar sob agressões com cassetete, ter que pagar para poder comer uma refeição completa, ser pendurado para apanhar... Essas são algumas das situações vivenciadas pelos presos da Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, mais conhecida como Ferrugem, em Sinop (500 km ao norte de Cuiabá). A unidade foi alvo de inspeção que constatou irregularidades. Doze policiais penais foram afastados por estarem ligados ao esquema de tortura e violação de direitos que reinava na penitenciária.

Discutir com um policial penal foi o suficiente para um detento levar um tiro de borracha no pé. Para ser atendido havia uma condição: não contar a verdade no hospital. As surras incluíam agressões com cassetetes e fios elétricos, por motivos que variavam. As torturas foram registradas pela Corregedoria do Tribunal de Justiça, que visitou a penitenciária em dezembro após denúncias da Pastoral Carcerária e da Defensoria Pública.

 

 teve acesso ao relatório da inspeção, que mostra em cerca de 150 páginas os métodos utilizados pelos policiais penais em uma situação de privação de direitos e tortura física e psicológica.

 

Na penitenciária, os policiais penais eram "a lei" e agiam totalmente fora das leis. Além das torturas, alguns servidores enviavam presos para o "convívio", ou seja, para o banho de sol, mesmo quando eles relatam ameaças de morte. Um dos presos "condenado" pelos agentes foi "colocado no 'convívio' para ser morto".

 

A falta de medicamentos, feita apenas para alguns presos e de forma deliberada, também era comum. Detentos com diabetes e hipertensão tinham os remédios negados, seja por comportamentos ou até mesmo pela orientação sexual, já que "viado morto não dá em nada".

Divulgação

Presos torturados no Ferrugem

Os que menos sofriam com as torturas eram os presos da ala evangélica, que não tinham racionamento de água e luz, por exemplo. Além de vivenciarem menos episódios de agressões, ainda tinham o controle sobre os presos que poderiam trabalhar, com direito à cobrança de taxa para que o detento pudesse receber o benefício.

 

Métodos de tortura

Entre os tipos de tortura realizadas pelos policiais penais relatados pelos presos estão o chantilly, o uso de um gás de pimenta em creme que era passado e esfregado nos olhos dos presos para arder mais. Em alguns casos esse material era passado nas genitálias dos presos como forma de coação para denunciar outros reeducandos ou mesmo como punição por alguma "falta". Um dos presos chegou a perder a visão por causa do método.

 

Outro meio utilizado era o "garfo do capeta", um garfo de 3 dentes onde eram colocadas velas para passar próximo aos olhos e emitir um gás que além de queimar as narinas, também causava desmaios.

 

Divulgação

Presos torturados no Ferrugem

 Um método muito comum na época da ditadura, o "pau de arara" também estava no rol das torturas aplicadas na penitenciária em Sinop. Os presos são pendurados com um pedaço de madeira entre as pernas e algemados levam cacetadas para "soltar" alguma informação.

Quando a tortura não era física, sempre havia as pressões psicológicas para amedrontar os presos. Ameaças de estupro, de transferir para um raio onde a pessoa tinha inimigos ou mesmo de não levar a próxima refeição estavam entre as atitudes diárias de alguns agentes.

 

LGBTQIs sem direitos

Se os presos regulares já não tinham direitos, os que pertencem à comunidade LGBTQI tinham menos ainda. Mulheres trans eram obrigadas a cortar os cabelos e usar roupas masculinas, mesmo tendo direito a preservar sua identidade sexual.

 

Ameaças de estrupo contra travestis também eram comuns, assim como a proibição de contar sobre as agressões a pessoas de fora da unidade. Uma presa travesti, além de não poder usar roupas femininas, relatou que recebia spray de pimenta nos olhos ao reclamar que não tinha acesso aos medicamentos de uso diário.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
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