Meio Ambiente

28/03/2022 16:35 Thaís Pimenta, Terra da Gente

BBB da vida selvagem: biólogo monitora ninhos da maior águia do Brasil

Everton Miranda estuda a espécie desde 2016; fotos e vídeos divulgados na internet atraem turistas e observadores de aves.

Desde de 2016 o biólogo e fotógrafo Everton Miranda se dedica ao monitoramento de ninhos de harpias (Harpia harpyja) na Amazônia. Em seis anos o especialista produziu um verdadeiro 'BBB da vida selvagem', com sucesso de audiência: vídeos e fotos de adultos e filhotes da espécie são divulgados nas redes sociais. Os flagrantes são tão surpreendentes que muitos telespectadores desse 'reality show' da natureza cruzaram o mundo para ver de perto a maior águia do Brasil.

Atualmente oito câmeras monitoram quatro ninhos, que ficam em diferentes pontos de uma faixa de floresta amazônica, no limite entre os estados de Mato Grosso e Pará. O acompanhamento permite que os especialistas descubram mais sobre os hábitos e características do animal, o que ajuda a traçar métodos para conservar a espécie, que corre risco de desaparecer.

Everton Miranda, compartilhou com o Terra da Gente um de seus registros preferidos: uma foto da harpia em pleno voo, depois de capturar uma presa. "Por essa imagem dá pra ter noção do tamanho dessa espécie, que pode chegar a mais de dois metros de envergadura (entre a ponta de uma asa até a outra)", explica.

As imagens revelam o motivo da harpia ser considerada uma das maiores predadoras do mundo e a maior águia do Brasil. "Nós precisamos colocar duas câmeras por ninho para monitorar esses animais. Isso porque o ninho chega a medir o tamanho de uma cama 'king size'", destaca ele.

Normalmente, os ninhos são montados de forma estratégica, no alto das árvores, para manter os filhotes mais seguros.

DESCOBERTAS

O monitoramento proporcionou descobertas importantes sobre os hábitos da espécie. "Um dado muito interessante foi sobre a predação: apesar de se alimentar de preguiças, as espécies com duas garras não entram no cardápio das harpias", explica Everton Miranda.

"Outro fator de destaque foi que alguns indivíduos se alimentaram de galinhas, fato que não tinha sido observado até então. E um detalhe muito legal: na foto tirada por mim, a harpia aparece com uma presa em cada garra. Esse comportamento também é diferente do habitual", completa.

ÍNDICES PREOCUPANTES

Dados de 2016 indicaram que 181 harpias morreram em um período de dois anos. No estudo, o pesquisador Everton Miranda constatou que os responsáveis pela caça e captura das harpias eram, na maioria das vezes, moradores locais motivados pela curiosidade ou medo do animal.

"Esse dado impactante acendeu um alerta sobre a importância de propor ações de educação ambiental na região. A partir daí, o turismo teve papel muito importante, já que esses moradores viam turistas cruzarem o mundo para observar o que estava no quintal deles. Aos poucos, essa realidade de ameaça foi ficando no passado. A luta agora é aumentar o número de indivíduos na região", finaliza.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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