Geral

16/05/2022 09:32 Felipe Leonel | Estadão Mato Grosso

Caminhoneiros de MT descartam greve, mas vão "reduzir a marcha"

Profissionais de MT afirmam que não pretendem parar, como ocorre em outros estados, e tentam renegociar fretes para não sair no prejuízo

Apesar da alta de 40 centavos no preço do óleo diesel, os caminhoneiros de Mato Grosso não pretendem fazer mobilizações e paralisar o setor. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Tangará da Serra, Edgar Laurini, que aponta uma mudança no comportamento dos motoristas, que decidiram trabalhar “sem pressa”, sem a “correria” normal do trabalho.

“Ele não tem aquela correria, aquela euforia do trabalho. Então, vou lá, faço uma viagem, pago a faculdade da minha filha e vou fazer a minhas compras”, afirma Edgar, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.

Edgar não descarta que a categoria faça uma paralisação, mas acredita que é uma possibilidade remota em Mato Grosso. Diferente do que ocorre no Espírito Santo, onde alguns caminhoneiros já começaram a cruzar os braços.

Edgar reconhece que o aumento do preço do diesel impacta primeiro nos caminhoneiros, mas sustenta que a categoria não tem interesse em prejudicar a sociedade. Uma paralisação poderia causar um efeito devastador, provocando disparada de preços de alimentos e dos combustíveis, além de levar ao desabastecimento, o que não é interessante nem mesmo para os familiares de motoristas.

Atualmente, os caminhoneiros trabalham com uma “margem” de 30% no preço do frete, que não é suficiente para arcar com custos de manutenção. Também precisam lidar com o aumento de peças e pneus. Um pneu, por exemplo, teve aumento de R$ 1.500 para R$ 3.200 entre 2021 e 2022, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Mato Grosso (Sindmat).

Edgar afirma que o primeiro impacto do aumento será pesado para os carminhoneiros, pois precisam cumprir contratos já assinados. Os reajustes só devem ser feitos em novos contratos de frete. Como uma possível solução, Edgar pede que as ‘tradings’ - empresas que fazem a compra e revenda de soja, milho e algodão - reduzam um pouco a margem de lucro para que o produtor tenha mais condições de melhorar os preços do frete.

“Eu não acredito em paralisação nesse momento. Eu acredito em negociação”, afirma. “Nunca gostei de prejudicar a sociedade. Eu tenho a minha política, que é a paz. Como presidente do sindicato, eu faço minha negociação sempre, numa situação assim, ouvindo os dois lados. Então, bloquear rodovia hoje é um absurdo”, afirma.

Edgar ainda criticou lideranças que têm forte presença nas redes sociais e ficam “inflamando” a categoria para, além de paralisar as atividades, bloquear rodovias e impedir o trabalho dos motoristas contrários à paralisação.

“Tem aí as federações, que são sérias, sólidas, os sindicais... que têm um compromisso com o caminhoneiro. Agora, alguns se dizem representante porque fala e tem tantas mil visualizações no seu perfil. Não é certo. Representante é quem está aqui na ponta, atendendo o caminhoneiro do dia a dia e vendo as dificuldades que eles têm”, afirma.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
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