Economia

10/06/2022 13:02 www.estadaomatogrosso.com.br

Venda direta pode reduzir preços do etanol em algumas regiões de Mato Grosso

Setor aponta que medida terá maior efeito nos postos localizados próximos às usinas de etanol

A Medida Provisória (MP) que liberou a venda direta de etanol das usinas aos postos de combustíveis foi aprovada nessa quarta-feira (8) pelo Senado Federal e, a partir da promulgação, terá caráter permanente. Na prática, a medida permite que os postos, em especial os que ficam próximos às usinas, reduzam a dependência das distribuidoras.

Lhais Sparvoli, diretora-executiva do Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Sindalcool/MT), destaca que a medida é positiva por representar uma possibilidade de negociação direta. Lhais cita, por exemplo, a extinção do ‘frete fantasma’, que é quando os caminhões das distribuidoras vão às usinas, levam o combustível para sua sede e depois precisam distribuir para um posto que fica próximo da usina. Com isso, o empresário melhora sua margem e pode garantir maior estabilidade nos preços.

“Isso acaba fazendo com que alguns impactos sejam mais de médio e longo prazo e não no curto prazo, como a população pode esperar. Isso é importante de ser mencionado”, explica Lhais, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.

A diretora-executiva do Sindalcool/MT reforça, entretanto, que a medida é positiva por ser uma possibilidade, não uma imposição, pois as distribuidoras possuem grande importância na distribuição do combustível para todo o Brasil. Além disso, nem todas as usinas possuem estrutura para a venda direta.

“Nós temos que ter novos investimentos para isso. Algumas [usinas] já estão preparadas para fazer esse tipo de distribuição, mas nem todas. É importante ter isso em mente, até porque as indústrias também têm contratos de longo prazo com distribuidoras”, conclui Lhais.

Essa preocupação também é compartilhada por Nelson Soares Júnior, diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (SindiPetróleo/MT). Isso porque as usinas costumam atender grandes contratos, para fornecer de 5 a 10 milhões de litros de etanol, e os postos não têm toda essa capacidade de armazenamento.

Além disso, Nelson levanta a possibilidade de que a venda do etanol da usina para o posto pode fazer com que o combustível saia mais caro da usina, em razão do baixo volume negociado. Isso pode anular a expectativa de redução de preço nas bombas.

"Isso está muito incipiente. E não é só aqui em Mato Grosso, é no Brasil inteiro. Imagina o preço que ela [a usina] vai fazer para quem compra 5 milhões de litros e o preço que ela vai fazer para quem compra 10 mil litros. As distribuidoras continuam. Agora, aquele posto que está do lado da usina, acho que está sendo beneficiado”, afirma Nelson Soares.

LIBERDADE AOS POSTOS

O economista Vivaldo Lopes vê a medida como positiva e avalia que poderia até reduzir o preço do etanol nas bombas para aqueles postos que estão mais próximos das usinas, além de melhorar a margem de lucro dos empresários. Entretanto, ele acrescenta dois pontos de atenção: a garantia da qualidade do combustível e recolhimento de impostos, o que exige mais fiscalização.

“Em algumas situações, pode contribuir com a redução do preço final no varejo. [...] Às vezes, a usina está muito próxima dos postos da região e da cidade. Se houver um bom acerto entre os varejistas e a usina, assim como cidades próximas, naturalmente, isso deve reduzir o custo com logística”, afirma Vivaldo Lopes.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
Fone (66) 9.8412-9214
[email protected]

Redes Sociais

248x90

Todos os direitos reservados ao Site Nativa News
Qualquer material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Crie seu novo site Go7
vers�o Normal Vers�o Normal Painel Administrativo Painel Administrativo