Agronegócios

12/03/2021 07:34 Mirella Duarte

Chuvas regulares inundam lavouras de soja e Sorriso decreta emergência

Aprefeitura de Sorriso, oficializou por meio do Decreto 482/21, a situação de Emergência da cidade a partir desta quinta (11). Isso porque, devido às chuvas e grande alagamento nas regiões de plantio, os agricultores já se preocupavam com a quebra do setor, o que se tornou realidade - agravado pela seriedade da pandemia em um período que também é de safra. 

Segundo nota publicada pela prefeitura, a chuva que se intensificou no período da colheita inundou lavouras, avariou estradas e levou galeria de drenagem embora, o que torna arriscado o transporte de alunos e pacientes nestas regiões, e traz ainda mais gravidade também na questão sanitária, além da financeira, potencializadas pelo período de agravamento da Covid-19.

“Tem sido um período muito difícil e estamos somando esforços para amenizar a situação, formalizando em um documento que o acúmulo de mais de 800 milímetros nos últimos 45 dias trouxe danos à infraestrutura das estradas vicinais, assim como perdas severas à agricultura de modo geral, dificuldades para o transporte escolar e, o que é ainda mais grave, o transporte de pacientes dos municípios vizinhos para o Hospital Regional de Sorriso”, contextualiza o prefeito de Sorriso, Ari Lafin.

Para a prefeitura segue sendo um desafio que as hortaliças oriundas da Agricultura Familiar cheguem à mesa das famílias em situação de vulnerabilidade social que fazem parte do programa “Mesa Saudável”, e também ao prato dos alunos na merenda escolar, pelos mesmos motivos.

A formalização da “Situação de Emergência” se deu nesta quinta, meio do decreto 482/2021, com base no material elaborado de maneira integrada por secretarias municipais, representantes do Sindicato Rural de Sorriso, e compilado pela Coordenação de Proteção e Defesa Civil (Compdec), que integra a Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Defesa Civil (Semsep).

Quebra no setor

O documento estima os prejuízos em cerca de R$ 1,5 bilhão para o setor privado e em R$ 850 mil para o setor público. O decreto não só torna menos burocrático o processo para recuperação da infraestrutura logística, por dispensar a necessidade de licitação para recuperar pontes, estradas e promover outras obras para restaurar os cenários afetados pelo aguaceiro, como também garante aos produtores a oportunidade de renegociar contratos e dívidas.

O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Sama), Marcelo Lincoln, aponta que o descompasso climático evidenciado no documento traz ainda outra consequência: a quebra na safra de milho, visto que plantar a semente com muita água no solo impede que o cereal finque raízes profundas no solo. “Se vier um veranico mais pra frente, a planta não sobrevive”.

Além do solo encharcado, a janela do ciclo produtivo da planta também torna arriscado o plantio da segunda safra. O boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) emitido no dia 5 já apontava um atraso de 30% em todo o Estado.

Para o representante do Sindicato Rural de Sorriso e delegado da Aprosoja, Tiago Stefanello, o documento representa um alento e uma importante ferramenta de negociação para os produtores. “É o momento de negociar, de dialogar e buscar uma forma de reduzir este impacto”. 


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