Agronegócios

11/06/2022 09:16 Estadão Mato Grosso

Guerra na Ucrânia e mudanças climáticas preocupam setor produtivo

Crise acentua insegurança alimentar global, mas Brasil pode ser protagonista na solução desse problema

O prolongamento da guerra no Leste Europeu segue preocupando, à medida em que se aprofunda a maior inflação vivida nos últimos 50 anos. O assunto foi um dos pontos mais debatidos no evento “Elas no Campo”, que reuniu centenas de mulheres produtoras e empresários na manhã desta sexta-feira, em Cuiabá.

O professor Alexandre Mendonça, da MB Agro, lembra que Rússia e Belarus possuem grande importância no comércio mundial de fertilizantes e que a Ucrânia também detém uma grande fatia no comércio internacional de milho e trigo. Segundo Alexandre, o principal desafio é fazer o transporte das commodities, já que quase todos os portos da Ucrânia, com exceção de Odessa, estão tomados pelos russos.

“Nós estamos vendo muita dificuldade exatamente porque a guerra está durando muito mais do que se esperava. E, pelo andar da carruagem, os russos vão ficar numa parte importante da Ucrânia por algum tempo”, disse Alexandre, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.

“Parte da armazenagem de grãos da Ucrânia está nos portos. Há um desafio de entender como é que vai fazer tirar esse grão de lá”, completa.

Essa impossibilidade de mover a produção ucraniana deve afetar principalmente o Norte da África, onde estão países que são grandes compradores de trigo, milho e girassol, assim como o Oriente Médio, que depende da produção da Ucrânia. Além disso, há outros fatores que preocupam especialistas do setor.

“Além dos estoques mundiais muito baixos, nós estamos vendo muita volatilidade climática em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil. Tivemos uma enorme frustração de safra no Sul do Brasil esse ano. Veja como o quadro vai ficando cada vez mais complexo. Você tem um problema de produção, de comércio, logística e uma volatilidade climática”, reitera.

Todos esses fatores, na avaliação de Alexandre, trazem uma grande insegurança ao mundo com relação ao fornecimento de alimentos. Ao mesmo tempo, abre uma oportunidade para o Brasil assumir o protagonismo na redução do risco de insegurança alimentar.

“O Brasil cresce absurdamente em importância para tentar resolver um pouco desse buraco de oferta”, disse.

Alexandre ainda diz acreditar que o mundo só vai reencontrar um reequilíbrio daqui a dois anos. Isso se a produção de alimentos for ampliada. Porém, a dificuldade de comprar fertilizantes pode impactar nas próximas safras, além das mudanças climáticas, que podem causar quebras de safras em várias partes do mundo devido à imprevisibilidade cada vez maior dos padrões climáticos.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
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