Educação

Mato Grosso 18/11/2019 07:27 JULIANA ALVES Jornalista

Pesquisadores da UFMT avançam na retirada de mercúrio do solo de Mato Grosso

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) avançaram no processo de retirada do mercúrio do solo mato-grossense. A substância química pode causar riscos à saúde humana, como problemas no sistema nervoso central, e ao meio ambiente. O próximo passo da pesquisa é a retirada da substância química dos rios.

 

O professor de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMT, Marcos Antonio Soares, explicou que na pesquisa foi utilizado o método de biorremediação. O processo visa solucionar um problema de contaminação ambiental com o uso de organismos vivos, como plantas, animais, fungos ou bactérias.

A UFMT lidera o projeto de pesquisa, mas tem outras instituições parceiras. Segundo o docente, a contaminação do solo do pantanal mato-grossense ocorreu por conta de garimpos de ouro ilegais.

“O mercúrio é tóxico para nós humanos. Ele ataca o sistema nervoso central, pode deixar a pessoa muito debilitada e pode ocasionar a morte. São graves problemas neurológicos, e a possibilidade de afetar outros órgãos. Além do risco à saúde humana, também afeta os animais, plantas e outros organismos. Além do contato direto, a contaminação também pode ser feita pela alimentação. O mercúrio na água pode afetar os peixes, por exemplos”, explica Soares.

 

O professor explica que os pesquisadores recolheram, levaram ao laboratório, cultivaram e testaram os fungos e as bactérias encontradas no mercúrio do solo daquela região. “A gente pressupõe que se eles viviam com o mercúrio, eles deveriam suportar o material. De alguma forma eles tem um mecanismo para suportar essa alta quantidade da substância no ambiente”.

Marcos Soares explica que esses organismos atuam por alguns mecanismos. O primeiro deles prende a substância química entre os fungos e as bactérias, dessa forma impedindo a movimentação do mercúrio pelo solo.

“Caso tenha uma chuva, é mais difícil que o mercúrio chegue até um rio. Ele vai ficar preso no micro-organismo”.

Outro mecanismo é que os fungos e as bactérias estimulem as plantas próximas a segurar o mercúrio entre elas. A terceira forma é estimular que o mercúrio saia do solo e se transforme em gás. “Quando ele vai para a atmosfera, o gás não é mais tóxico. Ele se dilui e não oferece mais riscos ao homem ou ao ambiente. Então você não tem mais o mercúrio no solo. Ele fica descontaminado”.

Os próximos passos e as dificuldades

O professor do Instituto de Biociências conta que os próximos passos da pesquisa é a busca por uma forma de retirar esta substância química dos ambientes aquáticos. Ele prevê que em 2020 o grupo de pesquisadores comece a divulgar os primeiros resultados conquistados.

O grupo de pesquisadores é formado por alunos de graduação, mestrado e doutorado. Além da busca pela solução humana, a pesquisa contribui para a formação acadêmica.

“A nossa maior dificuldade é a falta de apoio institucional. Foi muito difícil trabalhar sem esse apoio”, comenta o professor ao relembra os danos causados aos equipamentos do laboratório devido a problemas como a falta de energia, por exemplo.

Marcos Antonio também fala da necessidade do apoio do Governo para que as pesquisas continuem. Sem financiamento, anos de trabalho podem ser perdidos.

O papel dos pesquisadores da UFMT é descobrir e propor mecanismos que solucionem o problema ambiental, mas futuramente empresas privadas, através de parcerias com a universidade, podem ampliar a tecnologia e aplicar em grande escala.

Minamata

Desde janeiro de 2019, o Ministério da Saúde proibiu a fabricação, importação e comercialização de produtos com mercúrio, como termômetros e aparelhos de pressão que utilizem a substância. A medida também proibiu o uso dos equipamentos nos serviços de saúde.

A determinação cumpre o compromisso que o Brasil assumiu na Convenção de Minamata, que debateu os riscos do produto à saúde e ao meio ambiente. O pacto foi firmado e leva esse nome devido à contaminação que ocorreu na cidade de Minamata, no Japão, em 1956.

Habitantes da cidade, na época, apresentaram fortes sintomas como convulsões, surtos de psicose, perda de consciência e febre. As vítimas consumiram peixes pescados na Baía de Minamata e a água do local estava contaminada com o mercúrio. O desastre ambiental atingiu milhares de pessoas e deixou centenas de vítimas com sequelas graves, além de um grande número de mortes.

A Doença de Minamata é uma síndrome neurológica caracterizada pela dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte.

O Ministério da Saúde esclareceu que pessoas que já possuem equipamento com mercúrio, para uso doméstico, como os termômetros, não esta proibido. Além disso, o órgão esclarece algumas precauções em caso de quebra do produto.

  • Isolar o local e não permitir que crianças brinquem com as bolinhas de mercúrio;
  • Abrir as janelas para arejar o ambiente;
  • Recolher com cuidado os restos de vidro em toalha de papel ou luvas e colocar em recipiente resistente à ruptura, para evitar ferimento;
  • Localizar as “bolinhas” de mercúrio e juntá-las com cuidado, utilizando um papel cartão ou similar, evitando contato da pele com o mercúrio. Recolher as gotas de mercúrio com uma seringa sem agulha. As gotas menores podem ser recolhidas com uma fita adesiva;
  • Transfirir o mercúrio recolhido para um recipiente de plástico duro e resistente ou vidro, colocar água até cobrir completamente o mercúrio a fim de minimizar a formação de vapores de mercúrio, e fechar o recipiente;
  • Identificar/rotular o recipiente, escrevendo na parte externa “Resíduos tóxicos contendo mercúrio”;
  • Não usar aspirador, pois isso vai acelerar a evaporação do mercúrio, assim como contaminar outros resíduos contidos no aspirador;

Banner whats nativa news

Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
Fone (66) 9.8412-9214
nativanews@hotmail.com

Redes Sociais

248x90

Todos os direitos reservados ao Site Nativa News
Qualquer material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo