Economia

24/07/2016 08:54

Frigorífico de Tangará demite 135 trabalhadores; em Nova Mutum férias coletivas

Trabalhadores da indústria frigorífica e de alimentação temem demissões coletivas em Mato Grosso no segundo semestre. Em Nova Mutum, está programado mais um período de férias coletivas para cerca de 500 trabalhadores do frigorífico da BRF, que emprega 2,2 mil pessoas. A paralisação de 30 dias sucede férias coletivas concedidas em maio deste ano, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados e Indústrias de Rações Balanceadas de Nova Mutum.

No próximo dia 5, a unidade da BRF em Várzea Grande que abate de frangos será paralisada e poderá desempregar 1,2 mil trabalhadores, caso os mesmos não concordem com o remanejamento para outras unidades ou linhas de produção da companhia, segundo informações repassadas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação (Sintia) e confirmadas pela própria companhia.


Em Tangará da Serra, foram desligados sem comunicação prévia 135 trabalhadores do frigorífico de bovinos Marfrig (que emprega cerca de 1,1 mil pessoas) no mês passado, informa o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação e Frigoríficos de Tangará da Serra e região (Sintiaal). “As indústrias frigoríficas continuam dispensando trabalhadores.

No caso do Marfrig, nós pedimos a reintegração desses 135 trabalhadores (demitidos em 16 de junho) por meio de liminar, bem como o pagamento dos salários e manutenção dos benefícios, porque não houve negociação prévia. Já aconteceu uma audiência e outra está agendada”, expõe a presidente do Sintiaal, Nilda Leão.

Ela acrescenta que outras indústrias - de abates de bovinos e frangos - instaladas em municípios da base do sindicato continuam demitindo. Uma dessas unidades, também em Tangará da Serra e que mantém contratados 1,050 mil profissionais, tem realizado demissões semanais. “Só hoje foram 6. As empresas realmente estão ‘enxugando’, porque não recontratam”, afirma Nilda.


Em Nova Mutum, parte dos trabalhadores da unidade industrial da BRF foi surpreendida mais uma vez com a paralisação programada, diz o presidente do sindicato laboral, Juarez José Brugmago. “Depois de maio, os trabalhadores voltaram ao trabalho normal. Agora, a empresa comunicou a intenção de colocar os trabalhadores em férias coletivas em outubro e novembro. Ficou definido que serão 30 dias. Ficamos preocupados porque vai parar parte da produção em Várzea Grande e parou em Jataí (Goiás)”.

Outro lado
ABRF informou que as férias coletivas serão concedidas aos funcionários da linha de corte de aves da unidade Nova Mutum de 3 de outubro a 2 de novembro, retornando às atividades após esse período. Segundo nota enviada à Gazeta, a decisão está em linha com a estratégia comercial da companhia.

A empresa salienta que as demais atividades desenvolvidas no empreendimento não serão afetadas. Segundo a BRF foram investidos R$ 22 milhões na unidade este ano, e cerca de 240 trabalhadores foram contratados no 1º semestre, “o que demonstra a confiança da companhia quanto as atividades ali desempenhadas”. Sobre a unidade de Várzea Grande, a empresa reforça que a linha de produção de abate de aves não foi extinta e sim paralisada.


O período de paralisação, no entanto, não foi divulgado. O volume produzido pelos abates em Várzea Grande será, segundo a empresa, remanejado para outras unidades. As demais atividades permanecerão normais. A companhia informa ainda que cerca de R$ 750 milhões foram investidos no Estado nos últimos 5 anos. Atualmente são mantidas 4 unidades industriais e 1 centro de distribuição que, juntos, empregam aproximadamente 10 mil pessoas.

Já o frigorífico Marfrig não se manifestou sobre as demissões até o fechamento desta edição. Entrave à produção - a elevação dos custos e a redução na demanda interna e internacional reflete diretamente nas operações das indústrias, observa o presidente da Associação dos Avicultores de Mato Grosso (Amav), Tarcísio Schroeder. “As indústrias estão diminuindo a produção para baixar os estoques.

O custo de produção está alto, porque o milho e o farelo de soja encareceram este ano e os preços ainda não recuaram”. Schroeder comenta que a demanda interna deste ano acumula retração média de 8% e que também no Sul do país há frigoríficos demitindo ou colocando os funcionários em férias coletivas.

No setor de abate de bovinos, a situação não é diferente. As exportações este ano estão abaixo do ano passado e a demanda interna retraída, segundo informações do mercado. Na segunda-feira (18), o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, declarou que “o cenário de uma nova crise sem precedentes volta a impactar o setor frigorífico brasileiro, que produz carne bovina depois de um ano considerado bom em 2015 e um início de recuperação que não chegou a consumar-se”. Esta semana, a JBS fechou um frigorífico em Presidente Epitácio (SP) e dispensou 500 trabalhadores.

Ao todo eram 795 empregados na unidade e quem não foi demitido será transferido para outras fábricas da companhia. Segundo a empresa, foram realizados todos os esforços para manter a planta em operação, mas não foi possível porque até agora a empresa não obteve um retorno do Estado de São Paulo sobre novas regras tributárias. -


Fonte: A Gazeta


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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