Economia

11/07/2016 07:28

Reaproveitar é peça para ampliar negócio

Reaproveitar é verbo cada vez mais conjugado pelos consumidores. E, para os empreendedores “antenados”, o novo padrão de comportamento - e que ganha força com a crise econômica - torna-se um nicho de mercado ainda mais atrativo. A reciclagem primária ou o reaproveitamento dos materiais usados que seriam descartados é uma alternativa moderna e que ajuda a diminuir o lixo produzido no planeta, opina o empresário Luiz Antônio Pegorini.

Proprietário da loja Usadão da Informática, ele decidiu investir na recuperação de eletrônicos há 14 anos em Cuiabá, antes de o governo federal instituir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), por meio da Lei 12.305/10. Nesse período, aperfeiçoou o negócio e hoje mantém 27 funcionários, sendo 16 técnicos. Alguns com mais de uma década de experiência no serviço de assistência técnica de microcomputadores. 

“Reaproveito o material, não desmancho e faço outro. Faço a reciclagem primária, que é essa tentativa de reaproveitamento do material. Porque se o produto usado for desfeito, o mercado vai substituir por um novo. Então, o que faço é importante porque contribui para que a fabricação de produtos seja menor e, consequemente, o volume de lixo também. O produto usado e recuperado aqui retorna para a casa de alguém, não é descartado”, esclarece.

O negócio mantido por ele consiste na coleta, recuperação ou destinação correta dos produtos em desuso. Aqueles equipamentos ou peças que não podem ser recuperados são despachados para indústrias localizadas em São Paulo. “Quando não tem como recuperar, o pessoal daqui faz o desmanche; separa plástico, ferro, vidro e componentes eletrônicos e mandamos isso para as indústrias de fora. Parte disso conseguimos vender, mas parte enviamos com um custo adicional, que é o frete”. Conforme ele, sem custear o frete para as indústrias seria quase impossível despachar o material descartável.

“Em São Paulo há muito mercado para isso e ter que arcar com o frete encarece muito o custo para essas indústrias de lá”. Para ele, essa não é a situação ideal, já que transporte das peças que serão desmanchadas pelas indústrias para produção de novos equipamentos dependem do transporte rodoviário que, por sua vez, aumenta a emissão de gás carbônico com o uso de combustíveis fósseis.

“Quando mando esse material para fora, a única vantagem é que deixo de descartar no lixão, porque direciono para a indústria que irá convertê-lo em outros equipamentos. Mas, haverá poluição do mesmo jeito”, pondera.

O empresário revela que o lucro da sua empresa advém do reaproveitamento do material, já que os itens consertados podem ser vendidos. “Isso ajuda a financiar a outra parte, que é o envio dos equipamentos inutilizados para as indústrias de fora do Estado”. 
Coleta

Para recolher os equipamentos usados e que poderão ser reaproveitados, Pegorini conta com o apoio de aproximadamente 300 técnicos de informática atuantes na Capital e região metropolitana. Os profissionais que prestam assistência aos consumidores que possuem computadores e precisam desse serviço acabam recolhendo equipamentos ou componentes potencialmente reutilizáveis.

“Se eu não comprar, eles jogam no lixo. E como funciona? O técnico traz o HD de um computador, por exemplo, vem aqui e me vende. Eles acabam coletando e normalmente eu compro essa sucata. Então, muitos acabam guardando esse material e depois mandam para cá. Dessa forma, não jogam no lixo e eu mantenho meu negócio”, detalha.

Um dos “colaboradores” nessa coleta é o técnico Marcos Dias de Arruda, proprietário da Suporte Informática. Ele explica que invariavelmente as pessoas trocam o equipamento antigo por um novo e, para não descartar o que ficou em desuso de qualquer forma, deixam na empresa.

“Guardo aqui por um período, em geral de 3 a 6 meses, depois envio para a Usadão. São fontes, placas-mãe, processadores, impressoras, baterias de notebook, esses produtos. Mas nunca compro esses materiais. Em geral, quando a pessoa deixa comigo é porque entende que não compensa consertar e prefere comprar um novo. Aqui faço manutenção e também vendo equipamentos novos”.

Pegorini completa que também há pessoas físicas e jurídicas que recorrem à sua empresa porque desejam descartar esses materiais. “Do Grupo Gazeta de Comunicação, por exemplo, já coletei umas 10 vezes”. Ele acrescenta que a atividade envolve riscos, tem altos e baixos, como todo negócio. “Quando o ‘garimpeiro’ deixa o material aqui, às vezes consigo vender por R$ 300, mas às vezes tenho prejuízo de R$ 45, por exemplo”. Contudo, nem sempre ele compra a matéria-prima. “Depende do material e de quem está vendendo”.
Concorrência

O empresário afirma que no ramo em que atua não há concorrência direta. Ele destaca que a expertise que detém, junto com os funcionários, é voltada para a manutenção da própria empresa, que não registra alto faturamento. “E, hoje, aqueles que possuem mais experiência acumulada optam por estabelecer contrato com o poder público porque consideram mais vantajoso”.

Pegorini acrescenta que já foi contactado por pessoas de outras localidades querendo fazer parceria. “Não temos uma empresa comum, porque trabalhamos com sucata, mas que não deixa de ser um negócio, um comércio”. 
Crise

O cenário econômico recessivo e que afetou muitas empresas em todo o país provocou efeito contrário para a reciclagem. Ao menos, na empresa de Pegorini. “Graças a Dilma, o movimento aqui melhorou uns 25% desde o ano passado. É claro que a vida está mais complicada, os custos aumentaram. Eu pagava R$ 3 mil de conta de luz e passei a pagar R$ 7 mil (por mês). Mas, hoje tem muito mais gente consertando do que comprando. Até empresário vem aqui buscar equipamento seminovo. Antes eram só as pessoas mais simples, moradores de bairro, que precisavam de um computador para o filho que estava estudando, por exemplo”. 
Novidade

Quem também busca promover um modo de vida ambientalmente correto e saudável é Alex Anderson, idealizador da startup Eco III Sustentabilidade e do aplicativo Coleta Seletiva.net. Com uma equipe de 3 desenvolvedores, ele criou um mecanismo que poderá ajudar as prefeituras na implantação e controle da coleta seletiva de resíduos. Nesse grupo, entram embalagens plásticas, de papelão, de alumínio, computadores e até óleo de cozinha. “Todo mundo pode ter o aplicativo, mas primeiro é preciso que o poder público estruture a coleta seletiva e institua o uso do aplicativo”.

Por meio dele, será possível mapear todos os pontos de coleta nos bairros, por exemplo. O projeto resulta de uma década de experiência acumulada, completa Anderson. “Na realidade, não pesquisamos para montar o aplicativo, mas trabalhávamos na área de reciclagem e percebemos que os mesmos volumes de materiais continuam sendo destinados ao aterro sanitário. Falta comunicação, educação e conscientização para reverter isso”.

O empreendedor também faz a ressalva de que a reciclagem deve ser sustentável inclusive economicamente. “Um material que não tem destinação econômica se converte em rejeito. Então, a coleta seletiva e a reciclagem envolvem um ciclo. Tem que comprar e vender, senão encalha”. 

Fonte: GD


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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