Cidade

09/03/2018 15:41

Empresário diz que presidente da ALMT se tornou sócio de empresa para receber vantagens indevidas

empresário Roque Anildo Reinheimer, sócio-proprietário da Santos Capacitação de Pessoal e Treinamento, que é uma das empresas usadas para o desvio de dinheiro do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), disse que o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (PSB), foi inserido como sócio da empresa com o interesse exclusivo de receber vantagem indevida.

A assessoria de Botelho informou que ele está em viagem e que ele deve se manifestar sobre o assunto na próxima semana. A declaração do empresário foi dada, no dia 19 de fevereiro deste ano, ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Bereré, que investiga fraudes no Detran.

Roque Reinheimer disse ter começado a atuar em parceria com a FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação Ltda, prestadora de serviços ao governo de Mato Grosso, em 2009, e que se negou insistentemente em fazer acordo com políticos para o pagamento de vantagens indevidas, mas que, com o passar dos tempos, houve tanta pressão que acabou cedendo.

Mas, quando aceitou, ele disse ter imposto a condição de que os beneficiados ou intermediadores do esquema se tornassem sócios da empresa. Segundo ele, com o acordo fraudulento, o lucro da empresa aumentaria de 30% para 50%.

Com isso, Botelho e outra pessoa indicada pelo empresário Marcelo Costa e Silva, também apontado como integrante do esquema, se tornaram sócios da Santos Treinamento, que até então, além dele e do sócio Claudemir dos Santos Pereira, só tinha dois funcionários.

Depois dessa alteração contratual, com dois novos sócios, Roque afirmou que Botelho pediu que ele fosse até a casa dele e o questionou sobre o funcionamento da empresa.

Segundo o empresário, o parlamentar disse que tinha integrado o quatro societário da empresa para receber uma dívida e que, após recebê-la, começou a ser cobrado para o pagamento de outras vantagens. Ele disse ainda que o deputado afirmou que pretendia sair do quadro de sócios da empresa, o que aconteceu dias depois.

No lugar dele, na sociedade da empresa, ingressou Rafael Yamada Torres. Nesse período de mudança, houve uma nova composição em relação às cotas de participação.

Por ser financeiramente viável por questões de impostos e encargos, os sócios-propretários da Santos Treinamento e da FDL decidiram pela união e as duas empresas se tornaram sócias. Como sócia, a Santos receberia 30% do lucro líquido do contrato firmado com o Detran, que correspondia a R$ 40 mil e R$ 60 mil, dependendo do mês.

Pressão por propina

Outro político citado por Roque como suposto beneficiário do esquema foi o ex-governador Silval Barbosa (MDB). Conforme o empresário, quando Silval Barbosa assumiu o governo de Mato Grosso, em 2010, o advogado Merison Amaro, que era o responsável pela parte administrativa da empresa FDL, o procurou para uma reunião, que foi realizada na sede da empresa, no Distrito Industrial, em Cuiabá.

Na reunião, que também tinha como participante o empresário Marcelo Costa e Silva, Merison disse que Silval queria uma parte no negócio e que se não houvesse essa contrapartida rescindiria o contrato entre a FDL e o Detran.

Segundo ele, Marcelo representava o ex-deputado federal Pedro Henry, condenado no processo do Mensalão, e Antônio Barbosa, irmão de Silval Barbosa.

Sem citar nomes, ele disse que o "pessoal do governo" continuou a pedir vantagens indevidas e apresentaram processos administrativos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da Controladoria Geral do Estado (CGE), como forma de pressioná-los.

Ele disse aos sócios que concordaria com o pagamento de propina para outras pessoas, desde que não mexessem nos valores que ele recebia, que girava em torno de R$ 25 mil e R$ 30 mil.

Ele continuou a receber a parte que lhe cabia na empresa até dezembro de 2014.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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