Brasil

18/06/2020 19:16 www.poder360.com.br

Weintraub deixa o Ministério da Educação

Abraham Weintraub não é mais ministro da Educação. Ele mesmo fez o anúncio nesta 5ª feira (18.jun.2020). Divulgou 1 vídeo nas redes sociais ao lado do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo.

“Sim, dessa vez é verdade. Eu estou saindo do MEC e eu vou começar a transição agora. Nos próximos dias eu passo o bastão ao ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento eu não quero discutir os motivos da minha saída. Não cabe”, afirmou.

Weintraub vai agora ocupar 1 cargo no Banco Mundial. Ele foi o 2º ministro da Educação do governo Bolsonaro. Substituiu Ricardo Vélez Rodríguez em abril do ano passado. Era, até então, secretário-executivo da Casa Civil, então sob o comando de Onyx Lorenzoni (hoje ministro da Cidadania).

No vídeo, Bolsonaro permaneceu com o semblante sério enquanto Weintraub lia seu discurso de despedida. Depois, afirmou: “Todos os meus compromissos de campanha continuam em pé e busco implementá-los da melhor maneira possível. (…) Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser.”

Weintraub estava no centro de atritos entre o Poder Executivo com o Legislativo e o Judiciário. O chefe da Educação afirmou em reunião interministerial gravada em 22 de abril que, por ele, colocava esses vagabundos na cadeia, a começar pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O então ministro fazia uma crítica a Brasília, de forma geral. No comentário, mencionou especificamente o STF. O vídeo foi divulgado por decisão do ministro Celso de Mello. Isso porque, na gravação, haveria a prova de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal, conforme acusação do ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

O Senado aprovou convocação do ministro para esclarecer suas declarações na reunião. Ele também prestou depoimento à Polícia Federal no dia 29 de maio. Ficou em silêncio.

No último domingo (14.jun), Weintraub compareceu a 1 ato de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios e reafirmou sua declaração sobre “vagabundos”. Disse que já havia expressado sua “opinião”. Bolsonaro disse que o ministro “não foi prudente”, em entrevista à BandNews na 2ª feira (15.jun).

“Como tudo que acontece cai no meu colo, mais 1 problema. Nós estamos tentando solucionar o senhor Abraham Weintraub”, disse na ocasião.

Weintraub é investigado no inquérito que corre na Corte sobre fake news –decisão apoiada pela maioria do Supremo em julgamento de pedido de habeas corpus apresentado pelo ministro da Justiça, André Mendonça.

Além de ser alvo no inquérito das fake news, o agora ex-ministro da Educação também é investigado no inquérito que apura suposto crime de racismo. O processo decorre de publicação de Weintraub que associou a China a algum tipo de vantagem pela pandemia de covid-19.

Na última 4ª feira (17.jun), o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foram ao Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, para assistir à posse do ministro Fábio Faria (Comunicações). Havia uma série de autoridades do governo.

Weintraub não estava presente. Haveria dificuldade de Toffoli e Maia estarem na mesma cerimônia que o ministro da Educação.

ERRO NO ENEM, PLANTAÇÕES DE MACONHA E CHUVA DE “FAKE NEWS

Agora ex-ministro da Educação, Weintraub colecionou polêmicas enquanto comandou a pasta. Ele afirmou que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2019 foi o “melhor da história“. O exame, no entanto, teve erros que levaram estudantes a ter notas que não correspondiam com seus acertos na prova. O imbróglio do Enem começou em 18 de janeiro deste ano.

O Ministério da Educação reconheceu que havia erros na correção de algumas provas. A Justiça suspendeu a divulgação dos resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Os resultados foram liberados depois de decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). E Weintraub foi convidado a dar explicações na Comissão de Educação do Senado.

Weintraub disse numa entrevista em novembro do ano passado que as universidades são “madraças de doutrinação” e “têm plantações extensivas” de maconha. Além disso, afirmou que os laboratórios de química das instituições desenvolvem metanfetamina, uma droga sintética.

“Foi criada uma falácia de que as universidades federais precisam ter autonomia. Justo, autonomia de pesquisa, ensino… Só que essa autonomia acabou se transfigurando em soberania. Então, o que você tem? Você tem plantações de maconha, mas não são 3 pés de maconha, são plantações extensivas em algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico, porque orgânico é bom contra a soja, para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda a tecnologia que tem à disposição”, disse.

Depois, já convocado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados para explicar sua afirmação de “plantações extensivas” de maconha em universidades federais, Weintraub dobrou a aposta. No dia 11 de dezembro de 2019, ele mostrou vídeos produzidos por programas policiais, em sua maioria, sobre uso de drogas nas instituições. A maior parte dos vídeos não tinha data.

Weintraub tinha hábito de criticar a imprensa. Numa das críticas, gravou vídeo em que dizia haver “chuva de fake news” contra o governo. Ele usou 1 guarda-chuva dentro do gabinete para produzir as imagens.

Em apoio a Weintraub, o governo chegou a editar duas MPs (medidas provisórias) que mudavam o processo de escolha de reitores de instituições federais de ensino. A 1ª dessas medidas foi editada na véspera do Natal, dia 24 de dezembro de 2019. O texto caducou no Congresso Nacional.

Em seguida, Bolsonaro editou a 2ª MP. Desta vez, adaptada ao período da pandemia da covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus). A redação permitia que Weintraub escolhesse os reitores durante a emergência de saúde pública. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), nem sequer aceitou a medida.

Antes de deixar a pasta, outra publicação em Diário Oficial. Weintraub publicou uma portaria nesta 5ª feira (18) que atinge cotistas negros, indígenas e deficientes físicos para cursos de pós-graduação em instituições de ensino superior. Foi o último ato do agora ex-ministro no governo.


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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