Brasil

11/10/2018 08:40 BBC News Brasil

O que o TSE está fazendo para combater mensagens falsas nas eleições?

Na quinta-feira que antecedeu o fim de semana de votação no Brasil, um vídeo acusando fraude nas urnas foi extremamente difundido. Teve 1,6 milhão de visualizações no YouTube e foi publicado diversas vezes em grupos de WhatsApp e no fórum Gab, rede social da alt-right (termo que se refere a "direita alternativa", que reúne grupos de extrema-direita) americana que tem adeptos brasileiros apoiadores do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O vídeo, de um canal gaúcho chamado Brasil Paralelo, entrevista o procurador Hugo César Hoeschl, de Santa Catarina, que cita "estudos com reconhecimento internacional" que indicam "que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial brasileira foi de 73,14%", mas não especifica que estudos são esses.

Diante da disseminação desse vídeo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou uma resposta em seu site na sexta-feira, dizendo não haver registro "de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".

Também afirmou que "há vinte e dois anos, as urnas eletrônicas têm sido utilizadas nas eleições brasileiras sem nenhuma comprovação efetiva de fraude. O resultado das Eleições Gerais de 2014 foi auditado de modo independente por iniciativa de partido político, sem que qualquer irregularidade fosse identificada". A BBC News Brasil tentou contato com os donos do canal Brasil Paralelo e com o procurador, mas não obteve respostas.

No dia do pleito, no entanto, apesar de diversas acusações de fraude nas urnas, as ações do TSE foram mais tímidas. O tribunal apenas retuitou verificações de agências de checagem de notícias e do Tribunal Regional Eleitoral de Minas, que produziu um vídeo desmentindo uma acusação de fraude.

Questionada, a assessoria de imprensa do tribunal disse que as explicações sobre providências tomadas contra notícias falsas nas eleições foram expressadas pela presidente do tribunal, ministra Rosa Weber, em coletiva de imprensa no dia das eleições. O TRE de Minas disse que também não falaria sobre o tema de notícias falsas em geral.

Disseminação e resposta

Os boatos de fraude nas urnas no dia das eleições começaram a circular naquele dia de manhã.

Nos atuais 350 grupos públicos de WhatsApp que o professor de Ciência da Computação Fabrício Benevenuto, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), monitora por meio de seu sistema, um vídeo que mostrava uma urna que supostamente se "autocompletava" com o rosto do candidato presidencial Fernando Haddad (PT) quando o eleitor digitava o número "1" foi enviado por usuário em um grupo primeiro às 11:25.

Até as 16:12, três versões do mesmo vídeo haviam se espalhado por 29 grupos diferentes. Foi um dos conteúdos mais difundidos no WhatsApp naquele dia, se tomarmos como base o monitor da rede do grupo da UFMG (não se sabe o quão representativo é porque o número total de grupos públicos de WhatsApp no Brasil é desconhecido).

A acusação tomou maiores proporções quando o vídeo foi publicado de manhã no Twitter por Flavio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável Bolsonaro e naquele dia eleito senador do Rio.

Segundo levantamento da FGV-DAPP (Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas), seu tuíte teve mais de 17.050 compartilhamentos e foi "com folga" o mais "retuitado e influente do debate", segundo análise da FGV. Para essa análise, o grupo levou em conta 3,5 milhões de tuítes e quase 3 milhões de retuítes sobre os candidatos à Presidência entre as 0h e 20h do domingo.

O tuíte de Flavio Bolsonaro foi apagado. "Mesmo que a explicação sobre a veracidade do vídeo não tenha sido clara, meu objetivo de alertar ao TSE foi atingido, logo, retirei a postagem do vídeo", afirmou o agora senador eleito. O tuíte com o desmentido do TSE, às 13h36 daquele dia, teve só 1.554 retuítes.

O vídeo feito pela Coordenadoria de Comunicação Social do TRE de Minas no YouTube, também desbancando o boato, teve cerca de 800 mil visualizações. Agências de checagem de notícias e veículos de imprensa trabalharam tentando esclarecer as dúvidas.

Outros vídeos de supostas fraudes também circularam nas redes - e a narrativa tomou conta do dia de votação, respaldada pelos filhos de Bolsonaro e, mais tarde, pelo próprio candidato. De acordo com a FGV, foram 471,1 mil tuítes sobre fraude eleitoral entre 22h de domingo e 15h de terça, 9.

Para investigar casos específicos, os TREs têm que ser provocados pelos Ministérios Públicos ou partidos políticos. Questionado, o TSE informou à BBC News Brasil que não tem "conhecimento de nenhuma denúncia formal de fraude nas urnas" protocolada no tribunal.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
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