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04/05/2017 15:43

Desafiando o tabu individualista

Em meu artigo publicado na BOA VONTADE Mulher, revista especial que a Legião da Boa Vontade (LBV) lançou, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, durante a 61a sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), realizada em março deste ano na sede das Nações Unidas, escrevo sobre a sabedoria das mulheres na administração dos bens planetários. Aos que me honram com sua leitura, compartilho alguns trechos:

Dentre tantos casos que ilustram a necessidade do espírito solidário nas civilizações, é oportuno ressaltar o brilhante trabalho da dra. Elinor Ostrom (1933-2012), única mulher até hoje a receber o Prêmio Nobel de Economia. Ela e Oliver Williamson foram laureados em 2009, ambos por pesquisas na área de governança econômica.

A saudosa professora da Universidade de Indiana, EUA, teve de vencer os preconceitos acadêmicos contra a mulher para se graduar em Ciência Política. De origem humilde, interessou-se por estudar a organização de comunidades, com o fito de gerir recursos comuns, a exemplo das áreas florestais e de pesca. Ela acreditava que as pessoas, por si sós, alcançariam formas racionais de sobreviver e de conviver bem. Seria possível estabelecer laços de confiança entre os indivíduos e desenvolver regras de acordo com as particularidades dos sistemas ecológicos, a fim de que houvesse cuidado e proveito coletivos dos bens disponíveis. Isso foi de encontro à teoria econômica em vigor, chamada “tragédia dos comuns”, baseada numa visão de que o ser humano apenas egoísta levaria à ruína os recursos naturais.

 E as extensas pesquisas de campo que ela realizou nas florestas do Nepal, nos sistemas de irrigação da Espanha, nas vilas montanhosas da Suíça e do Japão, ou nas áreas de pesca da Indonésia, entre outros locais mostraram que é possível ter convivência harmoniosa e uso responsável das condições que a Natureza oferece. Verificou-se que não se poderia reduzir as pessoas à ganância de tão somente buscar o máximo de ganhos individuais. Todavia, deve-se compreender que a vida é composta de objetivos mais amplos e que a ajuda mútua se apresenta como item de necessidade básica da Alma humana. Em artigo científico, de junho de 2010, a dra. Ostrom concluiu: “Por quase todo o século passado, analistas de políticas públicas têm postulado que o grande objetivo dos governos é projetar instituições para forçar (ou empurrar) indivíduos completamente egoístas a alcançar melhores resultados. Extensa pesquisa empírica me leva a argumentar que, pelo contrário, o principal objetivo das políticas públicas deve ser facilitar o desenvolvimento de instituições que despertem o que há de melhor nos seres humanos. Precisamos nos perguntar como instituições policêntricas variadas ajudam ou impedem inovação, aprendizado, adaptação, integridade de caráter, níveis de cooperação dos participantes, bem como a conquista de resultados mais efetivos, equitativos e sustentáveis, em escalas múltiplas”. (O destaque é nosso.)

Nada melhor do que acreditar e investir no potencial divino dos seres humanos. Quando a razão se une ao coração (sentimento), as soluções fraternas fornecem à vida a tão sonhada felicidade, que só pode ser verdadeira quando houver alimento, material e espiritual, no prato de todos. Não nos cansamos de afirmar: nascemos na Terra para viver em sociedade, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica; portanto, sustentável.

 

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

 


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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