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10/01/2017 08:51

A armadilha das correntes

O que é o céu se não um suborno? E o que é o inferno se não uma ameaça? E o que são as “correntes” se não uma chantagem, overdose de suborno e ameaça? Se você passar pra frente, terá o céu na terra. Mas, se quebrar a maldita, cairá para sempre e eternamente nas mãos do chifrudo, sem direito a habeas corpus ou remissão de pena.

As frases sobre o suborno do céu e a ameaça do inferno são atribuídas a Jorge Luís Borges. A chantagem das “correntes” chega por todo e qualquer meio eletrônico. Antes, vinha pelos correios e, não tenho dúvida, já chegou por tambor, mensageiro, lombo de burro, cavalo, jegue, telex, fax, emalas – qualquer coisa que permita (ou permitisse) a comunicação entre humanos.

Os aficionados das correntes brotam da terra, saem do mar, vencem fogueiras. Estão na espreita em todas as redes sociais. Se o aplicativo permite mais que um parágrafo escrito – oba! -, lá vem a praga com suas proposições de bênçãos, cura, magia, feitiço, solução para garantir amor eterno, sucesso, saúde, dinheiro...

Tudo desde que... “O desde que” é o X da questão. Desde que... você, o recebedor das santas promessas/pragas, não interrompa a sagrada corrente. Se ousar não cumprir o mando e, principalmente, não repassar a “corrente” para dezenas de outras vítimas (ali chamadas de amigos) - ai,ai,ai,ai,ai! -, tá lascado!

Todo o contrário do prometido cairá sobre sua cabeça, tronco, membros, alcançando até as derradeiras gerações dos seus.

Nos derradeiros meses a corrente ganhou novas modalidades.

1.      Prove que tenho sua atenção lendo “este texto” até o fim. O tal texto vinha com trocentos parágrafos sobre os mais variados temas.

2.      Prove que me ama copiando e colando (o texto postado) na sua timeline.

O que faz alguém – adulto na carteira de identidade – chantagear seus “amigos” assim de graça? O dito cujo acredita mesmo que bênçãos e maldições navegam poderosas na nas ondas das redes? Que provas de atenção e amor voltarão com força e sinceridade capaz de suprir a carência do dia?

Fala sério! Correntes? Mais uma (s) para infernizar os dias já tão acorrentados nos medos cotidianos de assombrosas realidades?

Há quem defenda que a comunicação on-line infantiliza porque, embora identificados, temos a sensação do anonimato que nos permite soltar nossas feras. Assim, protegidos pela não presença física, agredimos, debochamos, mentimos, falseamos e... disparamos chantagens em forma de correntes – ou cumpre a encomenda que você não encomendou ou estará muito, mas muito mesmo ferrado. Vá de retro!

PS.: Pequena homenagem ao sociólogo polonês, Zigmunt Bauman, que morreu ontem, aos 91 anos, e que pensava e se assombrava com a fluidez da realidade desses nossos tempos em, segundo acreditava, “vivemos o fim do futuro”.

Sobre nós e as redes sociais, ensinava:

“A questão da identidade foi transformada em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não. O que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas...

...O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas s&atil de;o uma armadilha”.

Assim, pacientemente, devemos tentar um dialogo real inclusive com os “amigos” das correntes chantagistas. Faz parte.

Por Tânia Fusco/ Jornalista


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